Peru – paraíso gastronômico

Antes de nossa visita ao Peru em Maio de 2018, muito nos foi falado das belezas do país e da gastronomia de excelência. Mas todas as expectativas foram superadas.

Chegamos a Lima em vôo vindo de São Paulo e logo pegamos outro avião com destino a Cusco. A preocupação inicial era com os efeitos da altitude – Cusco está quase 3.400 metros acima do nível do mar, e são comuns os relatos de tonteiras, náuseas, vômitos e falta de ar.

Logo no aeroporto já são oferecidas aos passageiros do desembarque folhas de coca para serem mascadas, com o intuito de minimizar os efeitos do soroche (ou mal de altitude). Nos hotéis também é oferecido o chá de coca. Além disso, é recomendado evitar longas caminhadas e uso de bebidas alcoólicas no primeiro dia. Mascamos as folhas de coca, tomamos o chá, mas não seguimos nenhuma outra recomendação e não tivemos qualquer sintomas relacionado à altitude. Obviamente que depois de três vôos e duas conexões, não houve caminhadas tão longas.

Cusco

Em Cusco nos hospedamos no Sonesta Hotel Cusco, localizado na avenida El Sol, a principal da cidade. O hotel é bastante confortável, com excelente café da manhã e muito boa localização, em frente a um mercado de artesanato, com artigos típicos peruanos. A Plaza de Armas, principal atrativo turístico da cidade, fica no outro extremo da avenida, a aproximadamente 1 km – uma boa caminhada.

Dentre os pontos turísticos da cidade se destacam a enorme Plaza de Armas com sua belíssima catedral  de arquitetura espanhola e o Coricancha, um imperdível complexo arquitetônico da cultura Inca. Em ambos vale a pena a visita interna guiada, para maior compreensão da história e cultura Inca.

O mercado de Cusco é outro ponto turístico famoso. Interessante é ver o hábito dos cusqueños, mas o mercado em si é bem sujo.

Nos arredores da cidade há inúmeros sítios arqueológicos Incas nos mais diversos estados de preservação. Contratar passeios guiados é muito fácil durante a estadia. A cidade praticamente vive de turismo.

Dos restaurantes que tivemos a oportunidade de experimentar em Cusco, quatro marcaram:

Cicciolina

O restaurante funciona no segundo andar de um belo casarão e é tido como italiano, mas no cardápio há um predomínio de pratos da culinária local. Ali comemos a carne de Alpaca e há possibilidade de provar o Cuy (nosso “porquinho da Índia”). O Ceviche e o polvo estavam muito saborosos.

Lá tivemos nossa primeira experiência com vinhos peruanos. Provamos o Intipalka Chardonnay e o Tacama Selcción especial, um corte de Tannat e Petit Verdot. Se não encantaram, estiveram longe de decepcionar. O Branco é bem frutado e fresco e acompanhou muito bem o Ceviche. O tinto tem boa estrutura, mas é herbáceo além da conta.

La Cusqueñita

Esse foi o único restaurante que fomos exclusivamente por indicação dos locais. Vale o destaque mais pela tipicidade do lugar e nem tanto pela comida. Trata-se de uma casa bastante freqüentada pelos cusquenhos, com danças e pratos típicos, muito fartos e com preços bem camaradas. Os pratos são de razoáveis a bons, mas o aspecto é bem mais grosseiro quando comparado aos restaurantes de maior refino. Vale mais pela experiência de ver a cultura local, tomar uns piscos e comer uns ceviches.

Chicha

Casa com assinatura do famoso chef Gastón Acúrio (o mesmo do Astrid y Gastón), também com predomínio dos pratos locais. Local agradabilíssimo e com excelentes opções de petiscos. Provamos o lomo saltado, uma espécie de picadinho de filet, com cebolas legumes e ovos fritos. É um dos pratos mais típicos da região.

Limo

Nossa melhor experiência gastronômica em Cusco e umas das melhores no Peru. O Limo se destaca pela fusão das gastronomias peruana e japonesa. Os pratos são deliciosos e o preço é justo. Tem boa carta de vinhos, com valores também atrativos. As mesas da varanda permitem, no jantar,  um belíssimo visual da Plaza de Armas iluminada.

Valle Sagrado

Já saímos do Brasil com passagem de trem comprada para Machu Picchu. Nosso trem sairia de Olantaytambo no final da tarde, com destino a Águas Calientes. Em Cusco contratamos um guia particular com carro próprio que nos levaria até Olantaytambo, passando antes por alguns sítios arqueológicos do Valle Sagrado dos Incas.

Como a cidade vive basicamente de turismo, é possível encontrar no Centro de Cusco passeios com os mais diversos roteiros, duração e tamanho. Há roteiros em grupo, assim como oferta de passeios individuais ou em grupos fechados. A maioria dos taxistas têm a credencial de guia e fazem tanto o traslado quanto o ofício de guia. É importante checar qual é o veículo e suas condições . Há uma abundância de latas velhas no Peru. Não tivemos sorte nesse quesito.

Nosso roteiro compreendia, após a saída cedo de Cusco, as visitas a:

Chincheros

visita a oficinas de artesãs locais, que mostram todo o trabalho de fabricação de produtos de lã de Lhama, Alpaca e Vicunha. É uma parada interessante para se ver como tudo é feito, mas o verdadeiro propósito é te fazer comprar algum gorro, poncho ou blusa de lã. Valeu muito a parada em um mirante de beira de estrada, a mais de 3.600 metros de altitude, que permite uma vista deslumbrante do Valle Sagrado dos Incas. Ali se tem uma dimensão do que era o vale, que vai de Cusco a Machu Picchu, e que foi habitat dos Incas na era pré-colombiana.

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Maras Moray

Sítio arqueológico Inca que mais parece um anfiteatro. Dizem que era uma tecnologia de agricultura Inca, com criação de microclimas em cada nível diferente do redondel. É bonito e interessante, mas há pouco para se ver.

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Salinas de Maras

Um belo visual de terraços na encosta da montanha, com poças naturais de muito sal e água. Dali, todo mês são extraídas toneladas de sal pelas famílias que ali trabalham. Visita interessantíssima.

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Urubamba

Parada apenas para almoço no Inka’s House. Restaurante simples com buffet pouco atrativo, mas os pratos à la carte não deixaram a desejar.

Ollantaytambo

Destino final do passeio e início de nossa aventura rumo a Machu Picchu. Ollantaytambo é um belíssimo vilarejo, ainda há vários resquícios da civilização Inca – terrazas de microclimas, santuários e lindas vistas. Ali ainda se tem contato com o povo Quechua, povo indígena remanescente dos Incas. A praça é bem agradável, repleta de lojas de artesanato, bares e restaurantes.

Trem para Machu Picchu

A viagem de trem até Águas Calientes, pequena cidade aos pés de Machu Picchu, é um programa interessantíssimo. O trajeto é marcado por paisagens maravilhosas de rios, vales e montanhas. Os vagões são equipados com janelas panorâmicas que oferecem visuais incríveis.

Duas companhias, a Inca Rail e a Peru Rail, fazem o trajeto de ida e volta a Águas Calientes, partindo das estações Poroy (a mais próxima de Cusco), Urubamba e Ollantaytambo. As tarifas variam de acordo com o tipo de trem, serviços e classes.

Águas Calientes

Não esperávamos nada além de um pouco para conhecer as ruínas de Machu Picchu, mas tivemos grata surpresa com a pequena Águas Calientes. A cidade é bastante agradável, com boas opções de restaurantes e lojas de souvenir. Em poucos minutos se percorre toda sua extensão.

Nos hospedamos no hotel Ferre Machu Picchu (muito simples e caro pelo pouco conforto que oferece) e experimentamos dois restaurantes da cidade: Full House e Indio Feliz, ambos de comida típica local. Destaque para o primeiro, onde provamos ótimos Ceviches e Pisco Sour.

Machu Picchu

É indescritível a sensação de estar em Machu Picchu. O conjunto de obras arquitetônicas em um ambiente bucólico rodeado de belas montanhas e de névoa intermitente conferem um ar de misticismo e magia ao local. Só mesmo estando lá para se ter uma ideia de sua dimensão e beleza.

O passeio dura em média 3 horas, sendo que as visitas são obrigatoriamente guiadas. Os guias são facilmente encontrados por toda a parte, tanto em Águas Calientes quanto no alto da montanha, em frente à entrada do parque. O nosso guia foi indicado por um garçom do restaurante Full House. Ao término da visita, ainda é possível entrar mais uma vez no parque para nova exploração, dessa vez sem a necessidade de um guia.

O acesso ao parque é dividido em dois turnos: um pela manhã e outro à tarde. Compramos os ingressos antecipadamente pela internet, no valor de 152,00 soles por pessoa. Há dezenas de micro-ônibus fazendo o transporte de passageiros para o topo da montanha, onde ficam as ruínas. O valor é absurdamente caro (U$ 24,00) para um trajeto tão curto, mas não há outra opção que não seja a caminhada de aproximadamente uma hora em um trecho bastante íngreme.

Lima

Para fechar com chave de ouro nossa viagem, Lima também superou em muito as expectativas. Achamos a cidade linda e muito limpa. As regiões mais nobres, bairros Miraflores e Barranco, são as indicadas para hospedagem. A primeira oferece uma vista maravilhosa do pacífico, por cima de suas falésias. A orla é perfeita para uma caminhada no fim de tarde. Barranco é mais conhecida pela vida noturna, com grande variedade de bares.

O centro histórico também vale uma visita. Ao contrário do esperado, encontramos uma região limpa e muito bem cuidada.

Plaza de Armas

Mas o grande atrativo de Lima é mesmo sua rica gastronomia. Dentre uma enorme variedade de bares e restaurantes, tivemos a oportunidade de conhecer e degustar alguns dos melhores pratos de nossas vidas.

El Mercado

Esse foi nosso restaurante favorito em Lima. O El Mercado é o restaurante mais despojado do chef Rafael Osterling. O ambiente é agradabilíssimo e o atendimento muito cordial. Os pratos, a maioria de frutos do mar, são impecáveis. Fomos no almoço e foi uma experiência inesquecível.

Maido

Este é um dos mais badalados da cidade, figurando entre os 10 melhores do mundo, segundo a crítica especializada. Fusion das gastronomias peruana e japonesa, o Maido oferece menu degustação com pratos de muito requinte. É necessário fazer reserva com antecedência e os preços não são baixos, mas a experiência é imperdível.

La Huacla Puclana

A visita vale mais pelas ruínas pré-incas iluminadas em frente ao restaurante que proporcionam uma visita incrível. A comida e o restaurante são bons, mas significativamente inferiores ao Maido e ao El Mercado. Ali provamos, com muito receio, o Cuy (porquinho da índia), carne muito apreciada no interior do Peru. O aspecto ali era bem melhor do que os vistos em Cusco, onde o roedor era servido inteiro. Ali, eram pedaços fritos do animal, com aspecto de “frango a passarinho” e sabor também semelhante.

Tanta Larcomar 

Tanta é a rede de restaurantes menos elaborados do chef Gastón Acurio (do famoso Astrid y Gastón). Fomos na unidade do shopping Larcomar em Miraflores. A comida é boa, mas o que mais valeu a pena foi a vista do pacífico que se tem da varanda desse lindo shopping. É uma boa opção para um almoço descompromissado e mais “em conta”.

Ayahuasca

Funcionando em um belíssimo casarão do século XIX no bairro boêmio de Barranco, o Ayahuasca foi indicação de uma conhecida que nasceu e mora em Lima. Tudo de ótimo gosto, boa musica e excelentes drinks à base de pisco. Passamos por lá antes de jantar no Maido. Deu vontade de ficar mais.

A viagem foi uma descoberta incrível. Já sabiamos da fama peruana de belas paisagens e gastronomia de excelência. Mas nossos dias no país foram espetaculares, bem acima das expectativas. É um país que certamente voltaremos!

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