Turquia – planejamento do roteiro

Em setembro de 2016 rodamos pela Turquia por 2 semanas. Todo o roteiro foi planejado com bastante antecedência e algumas alterações tiveram que ser feitas. Para programar nossa viagem, tivemos alguma dificuldade em encontrar roteiros feitos por conta própria. A maioria dos relatos se refere a viagem para Istambul com compra de pacotes locais para visita à Capadócia, Éfeso e Pamukkale. Nossa intenção, como sempre, era de fazer tudo de forma independente, e a ajuda de sites em inglês foi fundamental.

Decidimos dividir o relato sobre a Turquia em posts diferentes, para que não fique demasiadamente longo. Iremos discorrer não só sobre assuntos relacionados a visitas a vinícolas, mas também sobre dicas e informações que julgamos importantes para quem, assim como nós, pensa em criar um roteiro personalizado e que possa ter dificuldades de encontrar ajuda.

Os destinos mais procurados na Turquia são: Istambul, Capadócia, Éfeso, Pamukkale, Ankara, Antalya e Bodrum. Não incluímos em nosso roteiro Ankara e Antalya pelos seguintes motivos:

  1. A Turquia não é um país pequeno e as distâncias são consideráveis. A malha aérea doméstica não é muito vasta. Mais cidades a serem visitadas significaria mais tempo em aeroportos ou na estrada, o que tornaria a viagem mais corrida e mais desgastante.
  2. Ankara, a capital, não está perto de nenhuma outra cidade do roteiro. Além disso, não li ou ouvi nada muito empolgante a seu respeito. Não estava entre as prioridades e foi cortada.
  3. Antalya e Bodrum são destinos no litoral do Mar Mediterrâneo. Visitar as duas parecia meio redundante. Após muita pesquisa analisando os prós e os contras de casa um, optamos por Bodrum. Cidade de maior porte, Antalya é destino de praia muito procurado por russos, enquanto Bodrum é preferida pelos ingleses e pelos turcos mais abastados com suas casas de veraneio. Com suas casas brancas à beira mar, Bodrum se assemelha muito a uma cidade grega. De lá é possível até visitar de barco a ilha grega de Kos. Já tínhamos fundamentos para nossa escolha.

Descontando as duas noites dos vôos de ida e volta, distribuímos nossas 13 noites na Turquia em Istambul (5), Kusadasi (2), Bodrum (2), Denizli (1) e Goreme (3).

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A seguir, algumas informações úteis para formular um roteiro.

Vôos

Há dois aeroportos internacionais em Istambul: Atatürk (IST) no lado europeu e Sabiha Gökçen (SAW) no lado asiático.

Somente a Turkish Airlines opera vôos diretos do Brasil (São Paulo) a Istambul, mas há outras várias companhias, principalmente européias, que ligam algumas cidades brasileiras a Istambul, sempre com conexões em seu país de origem. Alitália, Air France, KLM e TAP são algumas delas.

Deslocamento interno

Vôos domésticos

Voar dentro da Turquia é uma ótima opção. Algumas companhias como Turkish Airlines, Pegaus, Atlasjet e Andalujet garantem boa oferta de vôos internos a preços bem acessíveis. Mas algumas ressalvas devem ser feitas:

  1. Não é tarefa fácil encontrar vôos direitos que não tenham Istambul ou Ankara como origem ou destino. A grande maioria dos vôos que liga centros turísticos da Turquia (como Pamukkale e Capadócia) inclui conexões em Istambul.
  2. Os vôos são disponibilizados no site com boa antecedência, mas os melhores preços são encontrados nas proximidades da viagem (menos de 30 dias).
  3. Há muitas opções de horários de vôos em uma mesma rota, mas alterações e cancelamentos não são incomuns. Tivemos 2 problemas com alterações e cancelamentos de vôos que nos obrigaram a mudar nossa programação. Inicialmente havíamos comprado um vôo direto de Antalya a Nevsehir, mesmo Antalya não sendo um de nossos destinos. A intenção era sair de Denizli para o aeroporto de Antalya (aproximadamente 230 km), opção que nos parceria melhor do que voar do próprio aeroporto de Denizli (65 km), já que o vôo seria direto e com tempo total de viagem significativamente menor. Mas, a aproximadamente 90 dias da viagem, recebi um email indicando cancelamento do vôo e a nossa reacomodação em um vôo no dia seguinte, o que seria inviável. Entrei em contato com o atendimento da Turkish Airlines do Brasil e foram eficientes na troca do bilhete para um vôo com conexão em Istambul na mesma data inicial e mesma rota. Faltando 20 dias para o vôo, novo email com alteração dos horário com necessidade de pernoite em Istambul (não havia como sair de Antalya e chegar no mesmo dia na Capadócia). Novamente entrei em contato com a Turkish em São Paulo e dessa vez não havia outra opção de vôo. A solução então foi alterar a rota, partindo agora de Denizli, e não mais de Antalya,  com escala em Istambul. Tudo foi facilmente resolvido, mas foram necessárias mudanças nos serviços que já havíamos contratado (aluguel do carro, shuttle na Capadócia, entre outros).

Carro

Rodar a Turquia de carro é uma ótima alternativa, principalmente para aqueles que, assim como nós, gostam de explorar por conta própria o interior e as partes menos turísticas de cada país. Os turcos buzinam por qualquer coisa e gostam de trocar incessantemente de faixas, mas não é muito diferente de dirigir no Brasil, exceto pelo fato das estradas lá serem muito melhores.

Alugamos, juntamente com o carro, um GPS, que quase não foi usado. O sinal das operadoras de celular é bom, e um pacote de dados contratado em alguma delas permite o uso de navegadores como Waze e Google Maps de forma muito eficiente. Importante ressaltar que,  para chegar aos principais pontos turísticos como Éfeso, Meryem Ana (casa de Nossa Senhora) e Pamukkale, os navegadores costumam sugerir trajetos pouco convencionais. Nossa sugestão é de usá-los para achar as redondezas da atração e a partir dali seguir pelas placas indicativas.

Ônibus

Vi muitos relatos de pessoas que programaram passeios para Capadócia, Éfeso e Pamukkale partindo de ônibus de Istambul. Todos são unânimes em dizer que os ônibus são confortáveis e com muita opção de entretenimento a bordo, mas me parece um meio bem cansativo e desgastante. Dentre as alternativas de locomoção interna, me parece a pior, principalmente pelos bons preços praticados pelas companhias aéreas.

Trem

A malha ferroviária turca está em constante ampliação e modernização. Em alguns anos, espera-se que muitas das principais cidades estejam ligadas por trens de alta velocidade. Para os dias atuais, não nos pareceu muito eficaz.

Dinheiro / Câmbio

A moeda oficial é a Lira Turca, que atualmente é cotada a R$ 1,10. A Lira Turca raramente é encontrada em casas de câmbio do Brasil e, mesmo que seja, a baixa liquidez imporia cotações nada favoráveis. Dessa forma, a melhor opção para o viajante é levar moeda forte (Euro ou Dólar) e cartões de crédito ou débito, que são bastante aceitos.

Apesar da incidência de 6,8% de IOF, a utilização do cartão de crédito e de débito não é uma má idéia. O fato de se ter que fazer duas conversões em casas de câmbio para dinheiro em espécie (de Real para Dólar ou Euro e depois para Lira Turca) gera perdas financeiras muitas vezes até superiores ao custo do IOF. Nossa sugestão é dividir os gastos entre cartões e espécie.

Em Istambul, as melhores cotações se encontram nas imediações do Grand Bazaar. No interior, as melhores que encontramos foram as dos caixas automáticos azuis com a inscrição Bankamatic. Essas máquinas permitem o câmbio máximo do correspondente a  1.000 Liras Turcas por vez, mas mais de uma transação pode ser feita.

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Religião

A Turquia é um estado laico e não há interferência do estado na religião. Todas as crenças são aceitas, sendo 95% da população muçulmana, alguns mais liberais e outros mais ortodoxos.

A oportunidade de vivenciar aspectos do cotidiano dos muçulmanos enriquece muito a viagem. Belas mesquitas, o Azam – cântico entoado 5 vezes ao dia por todas as cidade chamando os muçulmanos para as orações, vestimentas de homens e mulheres, tudo contribui para um cenário bastante peculiar. Prato cheio para os interessados nas culturas dos povos.

Por toda a Turquia não há sinais de extremismo e todos são respeitados. Quem visita o país, não encontra problemas de origem étnica ou religiosa. Tampouco há sinais de risco para mulheres desacompanhadas. Mas é interessante estar atento a algumas atitudes de respeito à fé deles:

  1. Visitas às mesquitas são permitidas, mas o horário de oração dos muçulmanos deve ser respeitado. Nas mesquitas maiores, geralmente há indicação dos horários em que a entrada é permitida, mas nas menores (e principalmente fora de Istambul) é importante ter bom senso e aguardar do lado de fora o término das orações.
  2. A entrada nas mesquitas requer vestimenta adequada. Bermudas não são permitidas, e mulheres devem usar saias. Roupas decotadas também devem ser evitadas. Nas mesquitas maiores (como a Mesquita Azul) são oferecidas saiotes para homens e mulheres que não estão vestidos adequadamente.
  3. No interior e nos arredores pátio interno) das mesquitas, as mulheres devem cobrir a cabeça. Importante então as mulheres sempre andarem com um lenço disponível para o caso de necessidade.
  4. Nas mesquitas menores as salas de oração de homens e mulheres são separadas. O acesso deve ser respeitado.
  5. Não é permitido o uso de calçados dentro das mesquitas. Todos entram com meia ou descalços nas mesquitas, fator que contribui bastante para um cheiro bastante desagradável dentro das mesquitas. Lá dentro é comum um odor terrível de chulé misturado com “cecê”. Grande parte da população tem um cheiro muito forte de suor.

Culinária

Coalhada, conservas em azeite, grão de bico e os kebaps são os pilares da cozinha turca. A influência grega e árabe é nítida. O Pita Bread, o pão típico, é enorme, com massa fina e delicioso. A pizza turca, não muito diferente da tradicional também é muito apreciada. A pimenta é muito apreciada e participa de vários preparos. Em geral a comida é pouco temperada, sendo necessário o acréscimo de sal e pimenta.

Os Mezes, versão turca de “tira-gostos”, são servidos em todos os restaurantes. São porções pequenas e baratas (7-8 Liras Turcas) de aperitivos e entradas. Combinações de coalhada com pimenta, berinjela e alcachofra, anchovas em conserva, polvo grelhado ou em conserva e vegetais são alguns dos mais encontrados. Nem todos os Mezes constam do cardápio. Em certas ocasiões, antes mesmo de sentar à mesa,  o Maître nos levou para a escolha das entradas em uma espécie de geladeira vitrine e na grelha da cozinha. Tudo de forma gentil e informal. Há aperitivos deliciosos.

Em todo o país são encontrados restaurantes de Kebap. Kebap é um termo um tanto genérico que significa carne nas mais variadas formas de preparo. Podem ser servidos na forma de sanduíches, espetinhos, grelhados, cozidos, entre outros. De acordo com a região, a culinária turca tem suas variações.

Nas cidades litorâneas dos mares Egeu e Mediterrâneo comem-se peixes e frutos do mar em abundância. Peixes, polvo e lula grelhados, assim como em conserva são encontrados em quase todo restaurante e é tudo muito saboroso.

Na capadócia o prato típico é o Pottery Kebab, um cozido de carne de vaca, cordeiro ou frango e legumes. O cozimento é lento e ocorre dentro de um pote lacrado de argila. Após o preparo o pote é quebrado em frente ao cliente e o Kebabs então servido.

Istambul, como toda cidade grande, tem opções para todos os gostos e bolsos.

Os doces turcos são famosos e muito gostosos. A Baklava, um folhado de pistache,  talvez seja o mais famoso, mas também vale a pena provar as Tâmaras do Grand Bazaar e os chamados Turkish Delights.

Bebidas alcoólicas

O Raki, uma aguardente vínica com forte gosto de anis, é a bebida mais apreciada. É servida com gelo e água e é responsável direta pela popularização dos Mezes. Assim como na Espanha, é costume consumir álcool sempre acompanhado de algum petisco.

Cerveja e vinho também são encontrados com facilidade, mas não é raro encontrar restaurantes que não servem bebidas alcoólicas. Um bom parâmetro é o traje dos clientes. Bares e restaurantes repletos de homens com Taqiyah (chapéu muçulmano) e mulheres de burca são indícios de que ali não se consome álcool.

Feriados

Há dois grandes e importantes feriados religiosos islâmicos, o Ramadan e o Tabaski. Ambos não são motivos para adiar ou cancelar uma viagem à Turquia, mas é importante estar atento a possíveis mudanças na rotina que possam interferir em seus planos,  como maior procura por passagens aéreas e fechamento de pontos turísticos e do comércio.

O Ramadan compreende um período de 30 dias entre Maio e Julho (datas variáveis a cada ano) em que os muçulmanos jejuam do nascer ao pôr do sol. Nessa época pode ser difícil encontrar restaurantes abertos durante o dia em locais de menor apelo turístico.

O Tabaski é a mais importante festa religiosa islâmica e tem duração de quatro dias, mas muitos estabelecimentos podem fechar por toda a semana. Acontece em setembro e há a celebração da disposição de Abrãao em sacrificar seu filho como prova de sua fé em Deus (no final seu filho Isaac não foi sacrificado). Nessa época os pais de família sacrificam algum animal (carneiro e boi mais comumente) para ser servido nos festejos. As famílias e amigos se reunem e as sobras são destinadas aos mais pobres.

É comum na época do Tabaski as pessoas prolongarem o feriado e viajarem para visitar familiares. No início e no fim do período a procura por passagens pode aumentar muito. Estivemos na Turquia nessa época e não enfrentamos grandes problemas, exceto em Denizli, cidade pouco turística, que estava bastante deserta. Não conseguimos lugar para jantar e contamos com a boa vontade dos funcionários do hotel que abriram o restaurante especialmente para nos servir.

Celular

Um cartão SIM pré-pago de operadora de telefonia móvel com pacote de voz e dados é ferramenta essencial em nossas viagens ao exterior. Ter a possibilidade de fazer ligações locais para reservas em restaurantes, orientações de endereço, entre outras, é uma ajuda e tanto. Mas o plano de dados de internet que é mesmo o fundamental. Poder consultar mapas on line, pesquisar no google e  consultar remotamente arquivos a qualquer hora e em qualquer lugar facilita a vida de qualquer viajante e poupa tempo. Também é possível substituir o aparelho de GPS por aplicativos de navegadores de Smartphone como Waze e Google Maps para os trajetos a pé e de carro. Isso tudo sem ter que pagar os abusivos preços do Roaming internacional das operadoras brasileiras

Na Turquia, há três operadoras de telefonia móvel que oferecem planos pré-pagos. Contratei um plano da Turkcell e não podia ficar mais satisfeito. O sinal é perfeito e sem oscilações em todas as cidades que passamos. Até mesmo nas paradas nas estradas, longe de qualquer cidade, o sinal estava presente. Escolhi a Turkcell após longa pesquisa na internet. Foi a mais bem recomendada, seguida pela Türk Telecom, que também oferece boa cobertura. A Vodaphone está crescendo na Turquia e oferece bons pacotes para turistas, mas a cobertura é a mais fraca. Para grandes cidades funciona bem, para o interior  não é recomendada.

Em próximas postagens detalharemos as experiências e dicas em cada região da Turquia.

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