Piemonte – Barolos, Barbarescos, Tartuffo Bianco e muito mais.

No noroeste da Itália, próximo aos Alpes franceses e suíços, o Piemonte, é reconhecido por ter a melhor gastronomia italiana, além de ser Terra do Tartuffo e da Nebbiolo, uva que dá origem aos aclamados Barolo e Barbaresco. A principal cidade é Turim, que serve como ponto de partida para o Langhe, região rural onde estão os vinhedos.

Foi lá que passamos cinco noites em Novembro de 2015, visitando vinículas, provando o melhor da cozinha piemontesa e visitando seus lindos vilarejos.

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Neive, paisagem típica do Langhe
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Vista de Montelupo Albese
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Monforte d’Alba, região dos Barolos

O Langhe é de fácil acesso para quem chega de Turim (aproximadamente 100 km), e não faltam opções de agroturismo, propriedades rurais em meio a vinhedos em que se pode ficar hospedado. Estar de carro é fundamental para explorar a região.

Para os que preferem estadia em locais com mais estrutura urbana, Alba, a principal cidade da região do Langhe (berço da Nebbiolo), é uma boa opção. A cidade nao é grande (aproximadamente 30.000 habitantes), mas oferece bons restaurantes e um simpático centro histórico.

Nos hospedamos na Locanda Aria di Langa em Montelupo Albese. É um charmoso hotel, rodeado por vinhedos de Dolcetto, com linda vista dos vilarejos e fácil acesso a Alba e demais cidades da região. No período de nossa estadia, éramos os únicos hóspedes da Locanda. A proprietária Daniella nos tratou maravilhosamente bem, com ótimas indicações de restaurantes e vinícolas. Nos reservou um quarto amplo e luxuoso e com um vista maravilhosa da região. Andrea, uma jovem romena que alternou com Daniella no cuidado conosco, também foi impecável, sempre bem humorada e solícita. As duas nos fizeram sentir como convidados.

As principais uvas autóctones da região são a branca Arneis e as tintas Dolcetto, Barbera e Nebbiolo. A Arneis produz grandes vinhos na região do Roero, enquanto que as tintas são produzidas praticamente em todo vinhedo do Langhe. O Dolcetto dá origem a vinhos para o dia a dia dos piemonteses, enquanto que a Barbera gera vinhos mais frescos, bastante gastronômicos. A Nebbiolo é a estrela da região, cultivada para a criação de vinhos potentes e longevos. Da Nebbiolo saem os Barolos, Barbarescos e demais Nebbiolos da região (Nebbiolo d’Alba,  Langhe Nebbiolo, etc.).

Oriundos de regiões de solo predominante calcário separadas por alguns pouco quilômetros e da mesma casta, o Barolo e o Barbaresco guardam semelhanças e diferenças. Ambos têm coloração menos viva, tendendo muito facilmente aos tons atijolados com o passar dos anos. O potencial de guarda é alto e ligeiramente superior nos Barolos por sua maior robustez. Os vinhos são marcados por taninos fortes e acidez pronunciada, sendo par perfeito para carnes de caça. A diferença mais marcante é no estilo. Enquanto o Barolo se mostra potente e opulento, o Barbaresco tem traços mais finos e elegantes. Frequentemente são descritos como vinhos de estilos masculino e feminino, respectivamente. Uma boa analogia.

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Barolo de 2004. Os reflexos alaranjados denunciam os 11 anos.

Para um bom aproveitamento da região, é interessante um mínimo de 3 dias. Por questões de logística, daria para dividir esse tempo em um dia na região de Barolo, outro na área do Barbaresco e um terceiro em Alba e arredores. Minha sugestão é começar por Alba, explorar seu pequeno centro histórico, com lojas de produtos trufados e bons restaurantes. Lá, na praça da Duomo, há um posto de informações turísticas em que é possível agendar visitas a vinícolas. Em alguns produtores eu tinha feito o agendamento prévio, via email.

A gastronomia é uma atração a parte. Há excelentes restaurantes espalhados por todos vilarejos do Langhe. A cozinha piemontesa é rica, com pratos bem típicos e muito elaborados. Além dos pratos trufados, não dá pra deixar de provar :

  • Bagna caoda: espécie de molho à base de Anchovas e Alho servido geralmente com legumes (principalmente pimentoes assados, os pepperoni).

 

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  • Carne cruda: como um tartar de carne bovina. Muito saboroso, pode ser servido acompanhado do Tartuffo Bianco.

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  • Vitello tonato – fatias bem finas de carne de vitelo servidos com uma pasta de atum. Delicioso.

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  • Salsiccia de Bra – uma linguiça feita na cidade de Bra, somente com carne bovina. Muito usada em vários preparos, inclusive em ragús.
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Cebola recheada com Murazzano, queijo típico,  e salsiccia de Bra

 

  • Agnolotti dal Plin – massa recheada com carnes bovinas, de coelho e de cordeiro, servida com manteiga de salvia.

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  • Brasato ao Barolo – carne bovina cozida com molho à base de Barolo. O molho tem um sabor incrível.

 

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Brasato ao Barolo com polenta
  • Panna Cotta – parecido com um flan, mas de muito mais qualidade. O da Osteria dell’Arco é maravilhoso.

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  • Tajarín (assim mesmo com J) – massa comprida e “chata” como o Talharim, mas bem mais fina. Estaria para o Talharim assim como o Cabelo de Anjo está para o Spaghetti. Quando sem molho, cai muito bem com o Tarttufo Bianco.
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Tajarin ao ragu de salsiccia de Bra
  • Coniglio – o Coelho é muito consumido na região, tanto nos pratos como na composição do Agnolotti.

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  • Ovo com Tartuffo Bianco – Segundo os italianos é a forma ideal de se provar o Tartuffo. Seria o Romeo e Julieta. Provamos em duas formas: ovo frito e Ovo poché com fonduta di formaggio. Ambos deliciosos.

Primeiro dia – Alba

Chegamos a Alba depois de dois dias em Turim. Conhecemos seu centro histórico antes de almoçamos no restaurante Cincillà. Fica no centro da cidade e tem ambiente simples e atendimento familiar.

Em seguida, passamos algum tempo no centro de informações turísticas organizando as visitas às vinícolas nos dias seguintes. É interessante começar a visita por Alba exatamente por possibilitar a programação dos outros dias. O ideal é montar um roteiro de visitas que incluam os produtores de uma mesma região no mesmo dia.

Alba é também conhecida por sediar a fábrica de chocolates Ferrero, um orgulho italiano por sua política de governança. Dizem que, para quem se hospeda na cidade, é possível sentir o cheiro do Nocciola logo pela manhã. Infelizmente a fábrica é fechada para visita, mas tanto em Alba como nas vilas do Langhe é possível provar diversas sobremesas à base dessa deliciosa iguaria.

Ao final do dia, rodamos por Montelupo Albese e Grinzane Cavour, onde visitamos um antigo castelo que hoje abriga uma enoteca, o Castello Grinzane Cavour. Lá é possível degustar alguns vinhos piemonteses.

Nessa noite jantamos no Trattoria della Posta, em Monforte d’Alba. Comida maravilhosa, atendimento impecável e ótima carta de vinhos.

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Centro histórico de Alba
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Menu da Trattoria della Posta
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Provamos esse Nebbiolo de Roero na Trattoria della Posta. Me impressionou pela estrutura e elegância. Uma pena que não mais o encontramos no restante da viagem. Certamente traria algumas garrafas.

Nos dois dias seguintes, nos programamos para visitar seis vinícolas, três produtoras de Barbaresco e três de Barolo. Acabamos visitando mais algumas, sem agendamento prévio.

Segundo dia – DOCG Barbaresco

A DOCG Barbaresco é formada por 3 vilas. É menor (aproximadamente um terço) que a região produtora do Barolo. Ali também são plantadas, como em todo o Langhe, a Barbera e o Dolcetto.

Conhecemos, dentre as vilas, Neive e Barbaresco. As duas muito bonitas, mas Neive é maior e tem mais estrutura como restaurantes e lojas. Almoçamos no restaurante L’Aromatario em Neive. Funciona também como winebar e tem um ambiente bastante agradável.

Visitamos quatro vinícolas, nessa ordem:

Paitin – Pesquero Elia

Ainda pela manhã fomos recebidos por Giovanni Elia, por indicação da Daniella de nosso hotel. Inicialmente um tratamento formal, mas à medida que a conversa foi se alongando, ele se mostrou muito simpático e nos ofereceu todos os vinhos que produz para degustação. Muito culto, nos disse bastante da cultura local e do dialeto piemontês. A vinícola é pequena e familiar.

Provamos seu Arnéis de Roero, muito bom por sinal, e em seguida o Barbera e os Barbarescos. Grandes vinhos. Destaque para o Barbaresco de vinhas velhas, em especial o 2004, de uma grande safra e já pronto para beber.

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Vinhos da Paitin di Pesquero Elia
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Giovanni nos dando explicações sobre as áreas vinícolas do Langhe
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Degustação na Paitin

Já almoçados, nosso próximo compromisso seria somente às 15h na Pelissero. A passagem por Barbaresco rendeu uma visita ao show room de uma vinícola desconhecida para mim:

Rocche dei Barbari.

Tivemos atendimento muito atencioso e a oportunidade de uma degustação vertical interessante de Barbarescos Riserva de 1998 a 2011. Vinhos de boa qualidade e uma grande chance de avaliar sua evolução ao longo dos anos.

Ficamos tão concentrados na vertical e nem nos lembramos de fotos.

Pelissero

Essa eu marquei com antecedência por email. Já tinha provado um inusitado corte de Nebbiolo e Barbera da Pelissero e gostei bastante. Desde a troca de mensagens de email, Katia, uma funcionária da vinícola, foi bastante gentil e atenciosa. E foi ela que nos recebeu para uma excelente visita às instalações da vinícola, seguida de degustação de todos os 14 rótulos produzidos ali. A vinícola não chega a ser grande, mas também não é pequena. Ótima cantina* com uma das mais belas vistas de Teiso.

Excelentes vinhos. Nos impressionaram dois single vineyard: o Barbera d’Alba Tulin 2012 e o Barbaresco Vanotu 2011. A prova do Long Now 2011, corte de Nebbiolo e Barbera, só corroborou a impressão anterior: um vinho estruturado e ainda “nervoso”. Potencial de guarda e de evolução incríveis. É um desses vinhos de se guardar na adega por vários anos. A espera certamente será bem recompensada

* Cantina na Itália é Adega. O que chamamos de cantina aqui, lá é Osteria.

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Na cantina da Pelissero, provando grandes vinhos com Katia, nossa gentil anfitriã

Meu próximo e esperado encontro seria às 17h no produtor Piero Busso. Estava receoso sobre o que iria encontrar. A visita foi marcada pelo centro turístico de Alba. A atendente me alertou que não era comum o recebimento de visitantes pelo produtor, mas com muita insistência conseguimos um horário. Com uma ressalva: a visita seria em italiano, nada em inglês.

Piero Busso

Fomos recebidos pelo próprio Piero Busso, na porta de sua casa, para um encontro que seria um dos pontos altos da viagem. De imediato ele gentilmente disse que se comunicaria em italiano. Pessoa agradabilíssima, nos convidou para sua sala de degustação e provamos seus vinhos por mais de 2 horas. E foi possível sim, mesmo que ele tenha falado somente em italiano, uma longa e interessante conversa. Após 10 dias de Itália, os ouvidos já estavam treinados para entender o conteúdo da conversa.

Foi um longo e interessantíssimo papo sobre diversos assuntos: vinificação tradicional x moderna, economia, trabalho e principalmente as dificuldades que os pequenos produtores enfrentam pela corrente cada vez mais forte de uniformização em larga escala imposta pelos grandes. Ele queixou muito sobre a perda de identidade que tanto o Barbaresco quanto o Barolo vêm sofrendo. A tendência de produzir vinhos em larga escala e mais imediatos para o consumo vai contra a diversidade e tradição desses vinhos.

Não há como não concordar com o Piero. Ele é tradicionalista, adepto do uso de envelhecimento do Barbaresco em grandes tonéis de carvalho. Os modernos defendem o uso de barricas de menor volume. Essa dicotomização também acontece com os Barolos.

É uma cantina pequena e familiar, mas muito respeitada. De entrada, provamos um corte de Chardonnay e Sauvignon Blanc. Bom vinho, mas como disse o próprio Piero, não é o forte da região.

Provamos seus vinhos single vineyard. Os Barberas de muita qualidade e os Barbarescos de tirar o chapéu. Difícil apontar um preferido.

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A cantina do Piero

Saímos de lá quase 20h, em direção ao Ristorante Ca’ del Lupo (indicação da Daniella que foi reforçada pela Katia), outro grande restaurante que tivemos oportunidade de conhecer. Como regra da região, atendimento e comidas de primeira, assim como ótimas opções de vinho. Dos que visitamos é o restaurante com o melhor custo benefício para saborear pratos com o Tartuffo.

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O Ca’ del Lupo é o restaurante de um hotel de mesmo nome em Montelupo Albese.

Dia 3 – Barolo DOCG

No terceiro dia rumamos para explorar as onze vilas que formam a região de Barolo. Começamos por La Morra, uma cidade bem no alto da montanha, com uma vista de tirar o fôlego. A cidade é muito bonita e com bons cafés e lojas com produtos locais.

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Linda vista em La Morra
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No alto de La Morra

Em seguida seguimos para a primeira visita do dia.

Renato Ratti

Hoje grande e famosa produtora de Barolo, essa vinícola foi fundada pelo homem que lhe cedeu o nome. Renato Ratti, segundo a funcionária que nos atendeu, trabalhou por muitos anos em São Paulo (Brasil) na Cinzano, empresa do ramo de bebidas. Retornou à Itália nos anos 60 e começou seu legado na produção de vinhos de excelência.

A recepção é mais profissional e menos pessoal. Fomos recebidos por uma funcionária que nos dirigiu a uma mesa de degustação onde nos foram oferecidos alguns vinhos de sua produção.

Lá provamos três tintos:

Barolo Marcenasco 2011 que mostra muita elegância e é  um excelente vinho.

Barbera d’Asti 2013 – incomum de ser encontrado em Alba, onde predomina o Barbera d’Alba. Um vinho muito interessante até para evidenciar a diferença da Barbera quando cultivada em regiões distintas. Em Asti, a Barbera gera um vinho mais concentrado, rústico e com menos acidez.

O terceiro vinho provado é um corte bem pouco usual para o Langhe: Barbera, Cabernet e Merlot. Interessante pela diversidade, mas menos marcante que os anteriores.

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Logo em seguida, e logo ao lado, iniciamos mais uma prova de bons vinhos:

Cascina Ballarin

Esse é um ótimo e pequeno produtor com sede em La Morra. O nome de família  é Viberti, sendo que Ballarin, que dá nome à vinícola,  é o apelido de um ancestral. Cascina, cuja pronúncia é caxina, se origina de algo como a fusão dos termos Cantina (Adega) e Azienda (Fazenda).

Havíamos marcado essa visita e tivemos muito boa referência do Piero Busso.

Quem nos recebeu foi Alberto, um jovem membro da família. Tímido e bem humorado, ele nos recebeu muito bem, dando explicações sobre a cultura e os costumes locais e nos apresentando seus vinhos. Foi também uma de nossas visitas preferidas. Provamos Dolcettos, Barberas e três diferentes Barolos: dois single vineyard (Bussia e Bricco Rocca) e o Tre Ciabot proveniente dos três vinhedos de Barolo da família (segundo Alberto, Tre Ciabot significa, no dialeto piemontês, três casas de morro, em referência aos três terrenos inclinados de vinhedos)

Nos impressionaram bastante os Barolos Bussia e Bricco Rocca e também o Barbera d’Alba Giuli. Este talvez o melhor Barbera que provamos em nossa viagem.

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Seguimos para a bela cidade de Barolo para conhecê-la e almoçar. A cidade é linda e resume a essência da região. Vários restaurantes e enotecas, além do Museu do Barolo em que paramos para visitar. Não nos pareceu à altura do que a região oferece. Há referências à história do vinho e à produção local, mas podia ser melhor explorado. Uma exposição permanente dos principais produtores que permitisse inclusive degustações seria interessante.

Almoçamos no La Cantinetta, Osteria muito agradável. O atendimento foi bastante cortez e atencioso. Não era nosso propósito ter uma refeição prolongada, com vários pratos. Pedimos agnlotti del plin e risotto ao Barolo, um para cada, mas nos foi oferecido como brinde Vitello Tonato de entrada e Panna Cotta de sobremesa. Tudo de muita qualidade.

Seguimos nossa saga de degustações. O próximo destino era novamente em La Morra, numa vinícola indicada pela Andrea, de nossa Locanda.. Ela já tinha trabalhado lá e dava boas indicações.

Agrícola Brandini

Fomos muito bem recebidos com horário marcado nessa Azienda que tem estrutura física invejável. Há um restaurante no local que aparenta qualidade e estava fechado.

Após visita às instalações da Cantina, seguimos para a degustação. Foram oferecidos dois vinhos, e pela primeira vez na viagem, a prova foi paga. É um vinícola pequena, mas controlada por um grupo forte, assim ouvi dizer. Seus vinhos são oferecidos no Eataly, numa espécie de parceira.

Os vinhos são orgânicos e a produção é recente, com vinhas de menos de 10 anos. Provamos um Langhe Nebbiolo e um Barolo. Bons vinhos, mas abaixo da média dos que vínhamos degustando.

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Nossa última parada seria em um produtor agendado de última hora. Eu havia solicitado uma visita por email, mas não tive resposta. Mais uma vez por indicação e insistência do Piero Busso, tentei o agendamento com a boa vontade da Andrea e consegui que me recebessem. Foi marcado para as 18h, início da noite nessa época do Outono.

Mascarello

Vinícola de muito renome e prestígio, a cantina dos Mascarello fica cidade de Monchiero, ao lado de Monforte d’Alba, onde passamos para um café antes do encontro.

Fomos recebidos por Elena Mascarello. Incialmente a recepção foi fria e até desconfiada. Após um tempo de conversa, a coisa melhorou quando mostramos algum conhecimento sobre a produção e informamos da indicação do Piero Busso. Me passou a impressão de que eles recebem visitantes somente em casos especiais. Seus vinhos são muito requisitados, raramente encontrados nas enotecas locais e tampouco há venda direta na Cantina.

Provamos grandes vinhos: Dolcetto Bricco, Barbera Codana, Barolo Bricco e Barolo Monprivato. Os Barolos são elegantes e marcantes. Vinhos de excelência.

Infelizmente os vinhos não estavam a venda, mas no final, de forma gentil, Elena nos indicou enotecas em que valeria uma tentativa de achar seus vinhos. Caso não encontrássemos, ela se disporia a nos vender 4 garrafas no dia seguinte. Bastava ligar.

Fomos em busca dos seus vinhos nas enotecas indicadas, em Barolo e Alba, mas estavam esgotados. Infelizmente, no dia seguinte, não houve tempo de retornar para fazer a compra.

Já em Alba, fizemos nosso último jantar na Osteria dell’Arco, um restaurante que tinha em minhas anotações antes da viagem. Encerramento com chave de ouro, nessa aconchegante e deliciosa Osteria que fica ali bem escondida na praça principal de Alba. Atendimento (por mais redundante que pareça) bastante agradável e atencioso e comida de primeira. Para acompanhar e já matar a saudade, um vinho do primeiro produtor que visitei e que já estava empacotado no carro para trazer para minha adega: Sori’ Paitin Barbaresco Vecchie Vigne 2004. Ali provamos, como sugestão e brinde, a melhor Panna Cotta do Langhe.

Eram tantas vinícolas e restaurantes que desejávamos conhecer, que uma próxima visita certamente trará muitas novidades. Algumas vinícolas tivemos que cancelar e outras gentilmente informaram que não recebiam visitas. E há também o caso de nem termos tentado a visita, por saber de antemão, que seria impossível. É o caso de Angelo Gaja, o lendário produtor de Barbaresco.

Das que tentamos:

Prunotto – marcamos para o dia 3. Mas como estávamos em Barolo e queríamos explorar mais a região, tivemos que cancelar. É um produtor grande, que produz vinhos em Alba, Barbaresco e Barolo. Seus vinhos são muito bons e facilmente encontrados nas Enotecas e Restaurantes da região.

Pio Cesare – fica em Alba e também é dos grandes. Grande qualidade. Ganhou muita fama recentemente e me responderam gentilmente que não mais recebem visitas

Bruno Rocca – muito bom produtor de Barbaresco. Marcaram a visita para a manhã do dia em que estaríamos saindo da região. Para não atrasar nossa partida, tivemos que cancelar.

Luciano Sandrone – um dos grandes nomes de Barolo. Mandei um email dois dias antes de chegar à região. A resposta veio após 4 dias com mil desculpas pela demora. Disseram que, pelo curto espaço de tempo e por não serem abertos ao público, não conseguiriam programar uma visita

Bruno Giocosa – mais um dos mais renomados de Barolo. Mandei email e não recebi resposta. Depois, aqui no Brasil, percebi que minha mensagem não tinha sido enviada.

A idéia de conhecer o Piemonte não foi uma coisa pensada e planejada. Já tínhamos uma passagem comprada de ida e volta para Milão, com o intuito de conhecer as Cinque Terre. Havia alguns dias de “sobra” e resolvemos incluir o Piemonte. Já sabíamos e conhecíamos, obviamente, sobre os vinhos da região e a trufa branca. Mas que era um destino tão cativante e imperdível, só fomos percebendo à medida em que nos aprofundamos nos estudos da região. Mesmo após ter lido bastante, tudo que imaginávamos encontrar ficou aquém da experiência vivida.

O Piemonte, e sobretudo o Langhe, é uma região ainda pouco conhecida pelo turismo comum. Talvez daí surja todo o encanto dessa terra que trata tão bem seus visitantes, tanto por meio de seus vinhos, de sua gastronomia, e sobretudo do gentil povo piemontês.

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28 comentários

      1. Só enófilo mesmo. Mas gosto muito de estudar sobre vinhos, conversar, provar, etc e aí vamos aprendendo cada vez mais um pouco.

        A Alemanha é um ótimo destino para quem gosta de vinhos, sobretudo os brancos. Já estive na região de Rheingau e posso dizer que é muito interessante. Em geral, regiões produtoras de vinhos são bonitas e têm boa gastronomia.

        Análise a possibilidade de visitar alguma região como Rheingau, Mosel ou outra. Posso te ajudar com algumas dicas.

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  1. Olá,

    Eu e meu marido iremos para o Piemonte e estamos com dificuldade em encontrar dicas de roteiros, especialmente, das vinícolas a serem visitadas. Em um outro blog, vi seu comentário e ainda bem que resolvi visitar seu blog. Adorei seu relato e fiquei ainda mais ansiosa para a viagem.
    Vamos tentar realizar algumas visitas em vinícolas, mas estamos com um pequeno problema, não falamos italiano e nosso inglês é apenas aquele básico para se virar em viagens. Como você fazia suas visitas, sempre em inglês? Será que em algumas vinícolas maiores conseguimos visitas em espanhol (ou portunhol kkk)?

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    1. Oi Melina!

      Fico feliz que tenha gostado!

      Na maioria dos lugares que visitei fui perguntado se falava espanhol antes de inglês, então acredito que não terá grandes problemas, mesmo que a comunicação não seja 100% compreendida.

      Se precisar de ajuda para montar seu roteiro de visitas é só falar.

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  2. Adorei seu relato.
    Estamos ( grupo de 4 casais) programando para Set/ Out uma visita à região de Piemonte com duração de 14 dias.
    Pelo que li,vcs ficaram somente 4 dias nesta região .Acha que seria tempo demais ou vc tem outras dicas preciosas para explorarmos mais esta parte encantadora da Itália!
    Desde já agradeço
    Regina

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    1. Oi Regina, que bom que tenha gostado!

      Na verdade, nós estivemos no Piemonte por uma semana, sendo que 4 deles na região do Langhe e o restante em Turim. Gostaria de ter ficado mais. Acredito que uma semana só no Langhe seria o ideal.

      Quanto ao roteiro de vocês, depende muito dos interesses de cada um. Se o objetivo é somente vinho e gastronomia, podem encontrar atrativos para todos os dias (viajar por outras sub regiões – Asti, Arneis, Gattinara, etc). Mas sinceramente, acho muito! Como eu disse, 7 dias me parece um tempo ideal.

      Há muita coisa interessante nas proximidades, começando por Turim, a principal cidade do Piemonte e que vale a pena ser visitada. Perto da cidade, há os Jardins da Venaria Reale, Palácio em Stupinigini e a colina de Soperga, com sua basílica e uma linda vista de Turim.

      Outras boas opções, que também incluí no meu roteiro foram as regiões vizinhas da Lombardia e da Ligúria. Na Lombardia, além de Milão, as cidades de Como e Bérgamo são muito interessantes. No literal do Mediterrâneo, a Ligúria tem lindas paisagens. Passamos pela Cinqueterre e Portovenere e gostamos bastante. Genova e Portofino também são boas opções.

      Como se pode ver, na Itália não faltam opções de belos lugares para serem visitados. Acho que vocês têm bastante tempo e, de acordo com o interesse de vocês, há muitas possibilidades nas proximidades. Se eu puder ajudar em mais alguma coisa, é só falar.

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  3. Olá!
    Parabéns pelo blog e, principalmente, pela iniciativa de compartilhar suas experiências!

    Viajo com meu namorado no dia 10 de junho para a Itália e ficaremos uma semana no Piemonte.
    Já pegamos várias de suas dicas, mas ainda estamos com um grande dilema: todos os blogs, comentários, enfim, que lemos sobre a região recomenda a visita tantos às cidades quanto às vinícolas de carro… mas o grande dilema é: beber e dirigir!!!

    Sabe me informar como funciona as regras de trânsito por lá?
    Por conta disso, estamos pensando em usar taxi… o que nos traria um resultado orçamentário não muito positivo no final! Rs…

    O que vc. nos recomenda?

    Grata,

    Tânia

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    1. Obrigado Tânia, fico satisfeito que tenha gostado.

      Não sei exatamente como é a tolerância da lei italiana, mas o vinho é tão enraigado na cultura local que não me parece haver tanto rigor. Uma amiga que mora na Itália há anos me confirmou isso. Acredito não haver problemas de rodar de carro. Obviamente para quantidades moderadas (degustações, etc).

      As cidades são tão pequenas que não imagino uma facilidade em arrumar Taxi. Acho que com carro o aproveitamento é melhor.

      Abraços e boa viagem.

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  4. Parabéns pelo blog e pelo excelente e completo post, com destaque para as dicas das visitas às vinícolas! Eu e minha esposa estamos indo à Itália no final de novembro e vou aproveitar para alguns dias no Piemonte, que já estava na lista há algum tempo. Vamos ficar duas noites em Turim e 3 em Alba. Pelo que pude notar, vocês foram em dezembro, parece que estava frio, mas e a chuva? Estaremos de 5 a 10/12 nessa região, acho que é mais ou menos a época em que vocês foram.
    Muito grato se puder responder.
    Abraços!

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    1. São tantas ótimas opções e depende muito do que busca em uma visita. Eu gosto de encontros mais informais e com maior contato pessoal. Nessa linha, indicaria Piero Busso e Paitin em Barbaresco e Cascina Ballarin em Barolo.

      Mas se prefere visitas mais organizadas, com maiores informações sobre o processo de vinificação, Pelissero em Barbaresco, Brandini em Barolo e Prunotto em Alba são boas opções. A ressalva que faço é que Brandini, apesar de ter uma estrutura invejável, não figura entre os melhores produtores de Barolo, em minha opinião.

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  5. Olá. Estamos com viagem programada para início de março e teremos 8 dias para explorar a Itália. Chegaremos em Milão, e já alugamos um carro. O plano é explorar a região de Piemonte, pois na outra semana seguiremos para uma estação de ski na Provence, França. Tenho 2 crianças que irão comigo e meu marido, e mais uma família de amigos com crianças também. Gostaria de sugestões de roteiro, partindo de Milão até Turim. Temos interesse em visitar vinícolas e outros lugares com paisagens bonitas. Pode me ajudar?
    Obrigada

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    1. Olá Claudia!
      Em 8 dias dá para ver muita coisa legal. No noroeste da Itália tem lindas atrações.

      Para Milão e Turim vale reservar 2 noites em cada, pelo menos. Para o Langhe, visitando pequenas e lindas vilas com vinícolas, mais umas 3 noites.

      Acho que aí já preencheriam seus dias, deixando o oitavo dia para a cidade de chegada.

      Outras atrações da região com belos visuais:

      Lago Como
      Bergamo
      Cinqueterre

      Seria interessante definir prioridades, para poder montar o roteiro.

      Será um prazer te ajudar.

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    1. Obrigado Cassia.

      Em um dia dá pra visitar a região do Langhe sim, já que as cidades são pequenas e as distâncias curtas. Mas em dia não vai dar para vivenciar o que a região oferece de melhor, que são os vinhos e a gastronomia.

      Abs.

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  6. Olá,
    Vou ficar por volta de 5 dias na região com um carro alugado com minha noiva (1 noite em Turin e 4 em Alba).
    A pergunta é meio indiscreta… mas como você fez para visitar as vilas, realizar as degustações e voltar para sua cidade base?
    Da pra ir dirigindo ou é melhor outro meio?
    Abraço e obrigado,
    Victor

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  7. Que maravilha de descrição da sua viagem. Excelente relato. Eu, minha família e três amigos estaremos hospedados em Alba de 23/11 a 28/11 deste ano. Uma dúvida ficou no ar: as degustações feitas foram gratuitas( pretendo visitar Piero Busso, Paitin,Cascina Ballarin e Prunoto) ?

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  8. Olá. estou a planear visita a Piemonte com mais 3 amigos para final de Março de 2018. 5 dias.
    Você acha que será uma boa altura? Fará muito frio/neve nessa altura?

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    1. Olá, José Faria. Em Março, final do Inverno, as temperaturas variam entre 4 e 12 graus, podendo haver episódios de neve. É um clima semelhante ao da época de nossa visita (Novembro). É frio, mas nada em exagero. Para quem gosta, que é o nosso caso, é uma ótima época para a visita.

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